Para ela, que me mostrou os espelhos negros.
Lugar Nenhum, 20 de Agosto de 2.016 -
Voalá, Ecce homo. Vomitante empáfia, acelera seus passos, sempre afobados. Estava tão linda e longe a fruta, usou o galho, esticou o máximo suas vértebras, modificou seu espaço. Eis a exaustão, a diligência fundadora das revoluções, na lambida apressada dos dias o sujeito humano inventa, e se contenta, com inúmeras bugigangas. Eureka! Estão por ai, exibidos para a demora do seu olhar, Espelho negros. Veja, todos cabem na sua mão, tens sua imagem, pode ver? Entende o que está vendo? Existem luzes e sons neste espelho, agora tem a si mesmo, do jeito que quiser. Espelho, espelho meu existe alguém mais (****) do que eu? Há várias respostas, há profecias, há uma indicação - Você pode ser quem você quiser ser. Olhe, este que projeta-se para fora de si, não esta satisfeito consigo, o planeta esta coalhado de Brancas de Neve mais belas que ele, perambulando por ai. Veja a produção de maçãs metafisicas, uma proposta arrebatadora, uma mordida, uma autopsia denuncia o projétil atravessado na jugular insonte. Ah, espelho, já faz algumas horas, e ainda esta na mão, vulcânico, não cessa de dizer coisas sobre o dono desta mão que o aquece e da algum sentido ao seu funcionamento. Sem a mão, sem o dono da mão que o toca, o espelho é apenas uma bugiganga fria, que reflete as imagens, sem vitalidade, sombras desanimadoras e espectros bastardos e apáticos. Em aflição, consulta o oraculo falastração, pede uma opinião, sobre sua identidade, este ejacula profecias em sua face. Depois de diversas sessões, um pouco atordoado por inalar os vapores que brotam do abismo, recebe em sua boca folhas de louros oferecidos pela Pitonisa, ela grita euforicamente, palavras estasiadas sobre aquilo que diz ser ele. Tudo se transforma em minutos, muda, se faz trinta amigos mais rápido do que o cozimento do feijão. Visita-se a Malásia e protesta contra a propriedade privada e volta a tempo para comentar “Vida longa ao policial que matou um Sujeito por invasão de domicilio". A dança Frenética em busca de alguém, que diga “Vale a pena viver”. Há uma estranha necessidade de “amigos” para conversas sobre um punhado de nadas sobre ele, o amigo não se escandaliza com tantas mesquinharias fecais, pois esta ocupado, ajudando a povoar o espaço do silencio, com um monte de vazios sobre ele. Veja seres, aparentemente dopados, não aceitam-se como portadores da Síndrome de Narciso, rejeitam qualquer efeito colateral, menosprezam o egoismo, negam que individualmente se trancam nessa caixa masturbatória, estimulando o próprio ego. Bem vindo ao Éden, veja como são felizes, veja este playground do hedonismo, nesta capsula com passatempos e distrações. Venha, eu tenho a remissão deste mundo de putrefação, vermes e sarna. Estamos sozinhos agora, há bastante o que fazer, não pense nessa dor maior, de encontrar consigo mesmo e ver que não és uma simpática companhia para você mesmo. Não temas, com o espelho negro não estará sozinho. Não se importe por nunca encontrar-te, não tem problemas, debaixo de tantos adereços, enfeites, terá uma coleção de mascaras, se algo parecer estranho ou insuportável demais aumente a dose. O resto é silêncio


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